São Paulo (SP), Brasil — Quem tem medo do escuro pode abraçar as energias renováveis.
Um novo estudo do Greenpeace, feito em parceria com o Conselho Europeu de Energias Renováveis (Erec, na sigla em inglês), mostra como as redes elétricas do mundo poderiam ser transformadas para suportar uma matriz elétrica com 90% de energia renovável em 2050.

A transformação, alcançada com um nível modesto de investimento, é uma grande oportunidade de negócio para empresas de tecnologia e permitiria cortes gigantescos nas emissões de gases do efeito estufa.

“Renováveis 24h – a infra-estrutura necessária para salvar o clima” é parte do cenário [R]evolução energética, cenário traçado sobre como garantir o fornecimento de energia no futuro de forma amigável com o clima do planeta.

Um ponto referente à Europa, detalhado no relatório, faz eco nas necessidades brasileiras. Uma comparação de 30 anos de dados meteorológicos com as curvas anuais de demanda da Europa demonstra que, com a rede elétrica em uso, há apenas uma chance de 0,4% – ou 12 horas por ano – que a alta demanda ocorra quando a geração solar e eólica é baixa. O reforço proposto para a rede retiraria esta pequena incerteza, garantindo um fornecimento constante.

O estudo explica como redes elétricas inteligentes (smart grids, em inglês) locais e regionais poderiam ser conectadas de forma eficiente com uma super rede (super grid) de alta voltagem[1], para garantir um fornecimento ininterrupto e confiável de eletricidade, sem ativar usinas térmicas a carvão ou nucleares.

No Brasil, o alto potencial de renováveis (solar, eólica e biomassa) certamente garantiria a mesma oferta confiável de energia projetada para a Europa pelo relatório.

Por enquanto, a experiência de 2009, quando um blecaute atingiu quatro regiões do país, evidenciou a necessidade de investir em redes inteligentes e reforçar as existentes. Hoje não se pode confiar nas linhas de transmissão de Itaipu nos picos de consumo de energia, decorrentes do forte calor e da recuperação da produção industrial.

“Apesar da abundância de chuvas e dos níveis elevados dos reservatórios, opta-se por acionar as termelétricas fósseis, a fim de evitar o risco de sobrecarga nas linhas de transmissão das hidrelétricas”, afirma Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de energias renováveis do Greenpeace. “Como efeito colateral, sofremos tanto com as emissões de gases-estufa dessas usinas quanto com seu custo elevado.”

Devem ser gastos cerca de R$ 80 milhões com as termelétricas durante a temporada de calor, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).



“Com redes inteligentes, nós basicamente combinamos internet com eletricidade”, comenta o especialista em energia do escritório internacional do Greenpeace, Sven Teske. “Reforçar as redes inteligentes é uma grande oportunidade de negócios, especialmente para companhias de tecnologia. Na Europa, o investimento anual necessário ficaria em torno de € 5 bilhões, ou seja, menos de € 5 por ano por casa. Para destravar o investimento necessário em uma estrutura que seja amigável com o clima, precisamos urgentemente de políticas que apóiem a transição para uma oferta de eletricidade 100% renovável”, afirma Teske.

“O mercado global de energia renovável poderia crescer em índices de dois dígitos até 2050, e se equiparar ao tamanho atual da indústria fóssil. Hoje em dia, o mercado global está na casa dos US$ 120 bilhões e dobra de tamanho a cada três anos”, diz Christine Lins, secretária-geral do Erec. “O mercado global de renováveis caminhará lado a lado com o desenvolvimento de redes inteligentes, quando a participação de energia eólica e solar fotovoltaica passar de um terço do total de energia gerada.”


O relatório “Renewable 24/7” pode ser lido http://www.greenpeace.org/eu-unit/press-centre/reports/EU-energy-revolution-report  e em www.erec.org.

Mais informações:

[1] Smart Grids ou redes inteligentes enviam de eletricidade dos pontos de geração até os consumidores utilizando um sistema de monitoramento com tecnologia digital. Este sistema permite a integração de fontes energéticas descentralizadas como solar e eólica, assimilando sua entrada no sistema nos períodos de vento e sol. Permite também o controle do consumo de aparelhos e eletrodomésticos em residências e edifícios, informando os consumidores em tempo real sobre seu consumo e até desligando alguns equipamentos em períodos de alta demanda energética. Tudo isto é possibilitado através de linhas de transmissão de alta eficiência, que reduzirão as taxas de perdas do sistema elétrico. Desta forma, o sistema economiza energia, reduz custos e aumenta a confiabilidade e a transparência do consumo de energia.

Os Super Grids ou super redes usam linhas de corrente contínua de alta tensão (HVDC) para transportar grandes quantidades de energia a grandes distâncias, com alta eficiência. Este sistema permitirá que a energia eólica do sul e solar do nordeste do país seja distribuída para outras regiões, evitando a sobrecarga das linhas de transmissão de grandes centrais de geração de energia.
English Version
Redes elétricas inteligentes - como desenvolver uma infraestrutura para o século 21
Smart grids - how to develop an infrastructure for the 21st century
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São Paulo (SP), Brazil - Who's afraid of the dark can embrace renewable energy.
A new Greenpeace study, done in partnership with the European Council on Renewable Energy (EREC, its acronym in English), shows how the power grids of the world could be transformed to support an array power of 90% renewable energy by 2050.

The transformation, achieved with a modest level of investment is a great business opportunity for technology companies and allow massive cuts in emissions of greenhouse gases.

"Renewable 24h - the infrastructure needed to save the climate" is part of the scenery [R] evolution scenario, scenario outlined on how to ensure energy supply in the future so friendly with the planet's climate.

One item on Europe, detailed in the report echoes the Brazilian needs. A comparison of 30 years of weather data with the curves of annual demand in Europe shows that, with the grid in use, there is only one chance to 0.4% - or 12 hours per year - the high demand occurs when the generation solar and wind is low. The proposed increase for the network would remove this small uncertainty, ensuring a constant supply.

The study explains how smart grids (smart grids, in English) and local bodies can be connected efficiently with a super network (super grid) high voltage [1], to ensure an uninterrupted and reliable supply of electricity, without activating thermal coal or nuclear.

In Brazil, the high potential of renewable (solar, wind and biomass) will certainly ensure the same reliable supply of energy for Europe projected by the report.

For now, the experience of 2009, when a blackout hit four regions of the country, highlighted the need to invest in intelligent networks and strengthen existing ones. Today one can not rely on transmission lines Itaipu in peak power consumption, resulting from strong heat and recovery of industrial production.

"Despite the abundant rainfall and high levels of the reservoirs, the option is to drive the fossil plants in order to avoid the risk of overhead transmission lines from power plants," said Ricardo Baitelo, campaign coordinator of Greenpeace's energy . "As a side effect, we suffer so much with the emission of greenhouse gases such as plants with their high cost."

They should be spending about $ 80 million with the plants during the season of heat, according to the National System Operator (ONS).

"With intelligent networks, we basically combine the Internet with electricity," says energy expert of Greenpeace's international office, Sven Teske. "Strengthening the intelligent network is a great business opportunity, especially for technology companies. In Europe, the annual investment required would be around € 5 billion, ie less than € 5 per year per household. To unlock the investment needed in a structure that is friendly to the climate, we urgently need policies that support the transition to an electricity supply 100% renewable, "said Teske.

"The global market for renewable energy could grow at double-digit rates until 2050, and to match the current size of the fossil industry. Today, the global market is around U.S. $ 120 billion and doubles in size every three years, "said Christine Lins, Secretary General of EREC. "The global market for renewable walk hand in hand with the development of intelligent networks, where participation by wind and solar energy over a third of the total energy generated."

The report "Renewable 24 / 7" can be read and http://www.greenpeace.org/eu-unit/press-centre/reports/EU-energy-revolution-report www.erec.org.

More information:

[1] Smart Grids and intelligent networks to transmit electricity from points of generation to consumers using a monitoring system with digital technology. This system allows the integration of decentralized energy sources like solar and wind energy, assimilating its entry into the system during periods of wind and sun. It also allows power control devices and appliances in homes and buildings, informing consumers real-time consumption and even shutting down some facilities during periods of high energy demand. All this is made possible through transmission lines of high efficiency, which will reduce the rates of loss of the electrical system. Thus, the system saves energy, reduces costs and increases reliability and transparency of energy consumption.

The Super Grids or over networks use current lines of high voltage (HVDC) to carry large amounts of power over long distances with high efficiency. This system will allow the wind energy and solar south east of the country to be distributed to other regions, avoiding the overhead transmission lines of large hydroelectric power generation.
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