Brasília é a cidade brasileira com maior índice de lixo produzido por pessoa. A solução é reciclar. Um processo que depende do governo e de cada cidadão.

Lixo é tudo que a gente não utiliza mais e joga fora. Mas há no lixo muita coisa que pode ser aproveitada, muita coisa boa. Essas coisas boas seu João compra, todos os dias, dos porteiros dos prédios na Asa Sul. "Compro tudo. Brinquedo, cama, arrumo o que está faltando", diz.

E depois ele vende ou leva para equipar e decorar a própria casa. No seu quarto há duas TVs e dois ventiladores , além do da sala. Seu João ainda faz coleção de guarda-chuva, boné e óculos.

Seu João não é regra na cidade. Brasília não cuida bem do seu lixo. Lá se vão 47 anos de depósito em local inadequado - o lixão da Estrutural não cumpre nenhuma exigência ambiental. O sistema de coleta seletiva da cidade fracassou. Apenas de 1,5 % do lixo produzido é separado na origem. A capital do futuro ficou para trás

"Brasília começou errado no planejamento em 1960. Isso se arrasta durante quase 50 anos e hoje o reflexo é que Brasília é uma cidade que, apesar de ser bastante evoluída em muitos aspectos, na questão da coleta e disposição final de resíduos é uma cidade extremamente atrasada", afirma o diretor de projetos do IDOM, Marco Aurélio Moregola.

O diagnóstico é do consultor de uma empresa espanhola financiada pelo governo de lá para elaborar um projeto de gestão do lixo no DF para os próximos 20 anos. A primeira parte do plano foi apresentada numa audiência publica no último dia 10 .

As propostas só serão conhecidas no fim de maio e para serem implantadas precisam ser   aprovadas pela Câmara Legislativa. Hoje, o governo gasta por mês R$ 14 milhões com as três empresas contratadas para varrição e coleta, o que não é suficiente para garantir uma cidade limpa.

A falta de uma ação mais efetiva do governo também impediu o sucesso da coleta seletiva, feita apenas em algumas quadras do Plano Piloto. Nelas, os caminhões recolhem o lixo seco e o molhado em dias alternados. Alguns prédios levam a sério.  

"Há oito anos, nós temos 95% de adesão de todos os moradores", afirma a síndica Deusa Barbosa.

Há casas onde a separação é um hábito. "É uma coisa tão fácil de fazer que não dá para entender porque que todos não fazem", diz o aposentado Zeir Scherrer.  

Quem faz a separação dos restos facilita a vida dos 240 catadores que trabalham em uma das duas usinas de lixo do DF. Na esteira do lixo seco, a catadora Patrícia separa o que pode ser vendido. "A gente tira uns R$ 700", conta.

"Temos que nos conscientizar que a separação do lixo dentro das nossas casas vai favorecer o catador que vive diretamente dessa renda do lixo", diz o chefe de usina Cícero Gomes.

Já o lixo orgânico vira adubo e vai para cooperativas agrícolas. O que sobra das usinas e mais um montão de lixo vai parar no lixão da Estrutural. Nesse lugar, são despejadas mais de cem mil toneladas por mês. O governo se compromete a, em dois anos, fechar o lixão da Estrutural e implantar um aterro sanitário, onde o lixo não contamine o solo. Outra meta é alcançar 30% de reciclagem do lixo, índice que hoje não chega a 5%.

"Se a gente não reciclar, será preciso criar novos aterros. A política tem que ser de reciclagem", defende a diretora do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), Fátima Co.

Quem não pode esperar, transforma lixo em renda. Numa cooperativa, plástico, lata e papel jogado fora dão sustento a 200 famílias.

"Tudo que for com papel reciclado nós fazemos. Encapamos cadernos, caixas. Fazemos até abajur. O pessoal adora, tem muitos pedidos", fala o artesão Artur Godinho.  

Num condomínio em Sobradinho há mais um exemplo do que o cidadão pode fazer. Eles montaram uma verdadeira usina de reciclagem de lixo.

"A coleta é separada pelos moradores diariamente. Cada dia tem uma espécie de lixo ou orgânico ou seco e nos transportamos para nosso galpão onde nossos funcionários fazem a separação. O seco é embalado e vendido em casas que recebem lixo reciclado e o orgânico é feito uma compostagem. Essa compostagem vai para o minhocário, onde é produzido o humus que por sua vez retorna aos moradores para adubarem suas hortas", explica o militar Saraiva de Lima.  

É essa consciência ambiental que a Universidade de Brasília (UnB) quer desenvolver nas crianças, por meio da capacitação de professores da rede publica. No laboratório de reciclagem da UnB professores aprendem que a variedade do que pode ser feito com o lixo é tão grande quanto a variedade do que é jogado fora.

"A gente não tem mais espaço físico no planeta para acondicionar tanto lixo que produzimos diariamente. Não é o trabalho de um governo, é um trabalho de nação. Se as pessoas fizerem seu papel todos se beneficiam no final", defende a professora Theresé Hofmann.
English Version
LIXO NOSSO DE CADA DIA!
Garbage day our daily
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Brasilia is the Brazilian city with the highest rate of waste produced per person. The solution is to recycle. A process that depends on the government and every citizen.

Garbage is all that we no longer use and throw away. But there is much waste that can be used, much good. These good things your purchase John, every day, the porters of the buildings in the South Wing "I buy everything. Toy, Bed, ski what's missing," he says.

And then he sells or takes to equip and decorate their own house. In your room there are two TVs and two fans, in addition to the room. John still makes his collection of umbrella, hat and glasses.

Mr. Jones is not a rule in the city. Brasilia does not take good care of your trash. It's been 47 years of storage in inadequate place - the garbage dump of Structural does not meet any environmental requirement. The system of selective collection of the city failed. Only 1.5% of the waste produced is separated at source. The capital of the future is behind us

"Brasília wrong in the planning began in 1960. This has dragged for nearly 50 years and today is a reflection that Brasilia is a city that, despite being highly evolved in many ways, the issue of collection and disposal of waste is a city extremely late, "says project director of IDOM, Marco Aurélio Moregola.

The diagnosis is the consultant for a company financed by the Spanish government there to prepare a draft waste management in the DF for the next 20 years. The first part of the plan was presented at a public hearing in the last 10 days.

Proposals will only be known at the end of May and to be implemented need to be approved by the Legislature. Today, the government spends per month for $ 14 million with three contractors for sweeping and collecting, which is not sufficient to ensure a clean city.

The lack of a more effective action of the government also prevented the success of selective collection, made in just a few blocks from the Pilot Plan. There, the trucks collect the garbage dry and wet every other day. Some buildings take seriously.

"Eight years ago, we have 95% participation of all residents," said the superintendents Goddess Barbosa.

There are homes where the separation is a habit. "It's so easy to do that you can not understand why everyone does not do," says the retired Zeir Scherrer.

Who makes the separation of debris makes the lives of 240 scavengers who work in one of two plants garbage DF. In the wake of dry waste, the grooming Patricia separates what can be sold. "We strip a $ 700" he says.

"We have to realize that the separation of garbage in our homes will favor the hunter who lives directly from this income garbage," says the head of plant Cicero Gomes.

Since the organic waste becomes compost and goes to agricultural cooperatives. What remains of plants and more than a heap of garbage at the landfill will stop the structural. In this place, they fall over one hundred thousand tons per month. The government is committed to in two years, closing the landfill of Structural and deploy a landfill where the trash from contaminating the soil. Another goal is to achieve 30% recycling of waste, a rate that today does not reach 5%.

"If we do not recycle, you need to create new landfills. The policy has to be recycling," argues the director of the Urban Cleaning Service (SLU), Fatima Co.

Who can not wait, turns waste into income. In a cooperative, plastic, cans and paper thrown away give support to 200 families.

"Everything with recycled paper we do. Sleeved notebooks, boxes. We even lamp. The staff loves it, has many applications," says the craftsman Artur Godinho.

A condo in Sobradinho is another example of what citizens can do. They set up a real recycling plant waste.

"The collection is separated by the residents every day. Every day is a kind of garbage or organic or dried and shipped to our warehouse where our staff will do the separation. The matter is packaged and sold in homes that receive waste material is recycled and made a composting. This goes to the composting earthworm, where the humus is produced which in turn returns the residents to compost their garden, "says military Saraiva de Lima.

It is this environmental awareness that the University of Brasília (UnB) or develop in children, by training teachers in the public. In the laboratory recycling UnB teachers learn that the variety of what can be done with the garbage is as great as the variety of what is thrown away.

"We have no more space on the planet to pack so much garbage we produce daily. It is the job of a government, is a work of nation. If people do their part everyone benefits in the end," argues Professor Therese Hofmann .

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